quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

O Espírito do Senhor é o Espírito de Jesus Cristo

 Espírito Santo é o Espírito de Cristo

Compartilho com vocês queridos irmãos, um Dicionário em que afirma-se que o Espírito Santo é o Espírito do Pai e também o Espírito de Jesus Cristo. Além de afirmar também que o próprio Cristo Jesus também é um Advogado (Parakletos). Trata-se do "O Novo Dicionário da Bíblia" organizado por J. D. Douglas, 3ª Edição Revisada, lançado pela editora Vida Nova no ano de 2006. Os textos abaixo se encontram nas páginas 452, 455, 467, 774, 825, 1357.

ESPÍRITO SANTO — O Espírito Santo é referido, com ou sem o artigo definido, como "Espírito Santo", "Espírito", "Espírito de Deus", "Espírito do Senhor", "Espírito de Cristo", e "o Consolador" (Gr., Parakletos): a mesma palavra é usada pra descrever nosso Senhor em (1 João 2:1). Os símbolos "sopro", vento", "pomba", "dedo de Deus", e "fogo" são igualmente empregadas. Essa variedade, nos termos empregados pelas Escrituras, nos fornece meios de contemplar a identidade e a obra do Espírito Santo.  

Não existe qualquer antítese irreconciliável, conforme alguns pretendem sugerir, entre o ensinamento do AT e aquele do NT sobre o assunto. Tal como nenhuma dicotomia existe entre a ênfase do AT sobre a natureza providencial dos tratos de Deus com os homens e o ensino neo-testamentário concernente à sua graça, ou entre a atividade na criação do pré-encarnado Logos. Por um lado, e a obra redentora do Filho encarado, por outro lado, assim também é o ensinamento bíblico a respeito do Espírito Santo. O mesmo Pai e o mesmo Filho é que estão ativos em ambos os Testamentos, e é o mesmo Espírito Santo que tem operado através de todas as épocas. É verdade que temos de esperar pela revelação dada pelo NT antes que recebamos um quadro detalhado sobre a sua atividade. Porém, esse ensino mais completo, dado por nosso Senhor e por seus apóstolos, não entra em conflito, seja de que maneira for, com aquilo que aprendemos pelos escritores do NT.

Visto que Deus é Espírito (Jo 4.24), a Trindade inteira tem sido imaginada por alguns em termos de Espírito. Isso tem a tendência de anuviar a distinção entre o Espírito, o Pai, e o Filho. Além disso, falar, como alguns falam, sobre o Espírito como a relação de amor entre o Pai e o Filho, ou ainda, definir o Espírito Como "a ação viva de Deus no mundo", apesar de salientar uma verdade valiosa, ainda que parcial, tende, não obstante, a despersonalizar o Espírito Santo e reduzi-lo a uma influência ou força, ainda que benigna.

Porém, visto que em certo sentido o Espírito estava destinado a ser o "Alter Ego" de Cristo, não era tão necessário aquele pequeno grupo i de crentes que desfrutava da presença encarnada do Filho. O próprio Cristo era um Conselheiro, Advogado, Consolador e Fortalecedor sempre presente, e não seria até depois de sua partida que se tornaria necessário o outro Consolador (Parakletos). Enquanto Cristo pudesse ser seu próprio intérprete e sua testemunha, e pudesse repetir seu ensino aos seus discípulos, não havia necessidade de outro para iluminar, testificar e trazer suas palavras à memória dos discípulos. Porém, quando ele partisse, tornar-se-ia necessário que fosse enviado o Espírito, pelo Pai, para encarregar-se dessas tarefas entra os crentes, realizando os demais encargos de convencer o mundo de seu pecado em termos de sua incredulidade em Cristo; da justiça porque Cristo, a referência objetiva e encorporada da justiça, havia subido ao Pai; e de juízo porque o veredito baixado em relação do príncipe deste mundo fora a morte de Cristo (Jo 16.7-11). Ele indicou claramente que o Espírito nem ultrapassaria nem tornaria desnecessária a sua obra e a sua pessoa, mas antes deveria distribuir e supervisionar respectivamente as riquezas e atividades de Cristo (cf. At 1.1, onde o termo "começou" [ARC que apresenta corretamente o grego] deixa subentendido que Jesus continuaria a agir e a ensinar por meio de seu Santo Espírito).

Neste estágio, igualmente, se encontra a característica mais significativa do ensinamento paulino sobre o Espírito, a saber, a relação integral entre o Espírito e Cristo, a qual é tão íntima e quase indissolúvel que o apóstolo pode falar no "Espírito de Cristo", no "Espírito de Deus", no "Espírito Santo" e no "Espírito", praticamente sem fazer qualquer distinção entre esses diversos títulos, enquanto que em 2Co 3.17,18 emprega a frase enigmática "o Senhor é o Espírito" ("o Senhor é aquele [ou "que é o"] Espírito").

Ao dar-se por sua própria vontade ao crente, ele se torna a vida espiritual do mesmo, levando-o a conhecer a presença do Cristo ressurreto no íntimo. Ele é o autor, a origem e o orientador do poder para o processo do crescimento espiritual, que se prolonga pela vida inteira do crente, e é somente na proporção em que o Espírito é a esfera do modo de andar do crente que a vitória sobre o pecado se torna possível. Libertando o santo do apego inflexível e legalista à letra da lei, o Espírito Santo é o Espírito de Cristo, o libertador e transformador do pecador, levando-o a amoldar-se à imagem de Cristo (2Co 3.17,18).

O poder da ética bíblica é, por conseguinte, o próprio Espírito Santo na qualidade de Espírito de Cristo. A novidade de vida que é conforme o padrão da ressurreição de Jesus é a "novidade de espírito" (v. Rm 7.6). Os filhos de Deus são conduzidos pelo Espírito (Rm 8.14), andam pelo Espírito (Gl 5.16,25), í suas virtudes são o fruto do Espírito (Gl 5.22-24), o amor que é o cumprimento da lei é o amor do Espírito (Rm 15.30). O crente é controlado pelo Espírito que nele habita (cf. 1 Co 2.1 5), e visto que o Espírito Santo é o Espírito da verdade (Jo 14.17; 1 Jo 5.6) e do amor, sua presença permanente traz a verdade até à realização e o amor até seu exercício eficaz.

A libertação traz consigo a adoção (Gl 4.5); aqueles que são libertados da culpa se tornam filhos de Deus e recebem o Espírito de Cristo na qualidade de Espírito de adoção, que lhes assegura que verdadeiramente são filhos e herdeiros de Deus (Gl 4.6s.; Rm 8.15s.). A reação do homem ao dom divino da liberdade (eleutheria) e, de fato o próprio meio de recebê-la, é a livre aceitação de serviço escravo (douleia) a Deus (Rm 6.17-22), a Cristo (1Co 7.22), à justiça (Rm 6.18) e a todos os homens por amor ao evangelho (1Co 9.19-23) e ao Salvador (2Co4.5).  

Jesus Cristo apelou para o maná, o "pão do céu" dado por Deus, como tipo de si mesmo, o verdadeiro pão da vida, e contrastou a sombra com a realidade: "Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram" (Jo 6.49), mas pôde também dizer: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente" (Jo 6.35,51, e cf. v. 26-59 passim). A vida eterna foi posta à disposição do homem pelos méritos de sua morte (v. 51). Em Ap 2.7 o "maná escondido" representa o sustento espiritual proporcionado pelo Espírito de Cristo.

Em preparação para o advento de Cristo, o Espírito Santo desceu à consciência de homens tementes a Deus num grau que era desconhecido desde o término do ministério de Malaquias. João Batista, mais especialmente, estava cônscio da presença e da chamada do Espírito, e é provável que a sua pregação tivesse uma referência trinitária: ele conclamava ao arrependimento para com Deus, fé no Messias vindouro, e falava sobre o batismo do Espírito Santo, do qual o seu próprio batismo em água era apenas um símbolo. A agência do Espírito, na encarnação do Filho, foi desvendada para Maria (Lc 1.35), juntamente com a intimação que o Filho que nasceria dela seria chamado "Filho do Altíssimo", e que "Deus, o Senhor (dar-lhe-ia) o trono de Davi, seu pai". Dessa maneira, o Pai e o Espírito foram incluídos na operação da encarnação do Filho. Por ocasião do batismo de Jesus, no rio Jordão, as três pessoas podiam ser distinguidas: o Filho, que estava sendo batizado, o Pai que falava do céu, e o Espírito que descia no símbolo objetivo de uma pomba. Jesus, tendo dessa maneira recebido o testemunho do Pai e do Espírito, recebeu autoridade para batizar com o Espírito Santo. João Batista parece ter reconhecido desde bem cedo que o Espírito Santo viria da parte do Messias, e não meramente em companhia dele. A terceira pessoa, era, dessa forma, tanto Espírito de Deus como Espírito de Cristo. (p. 825)

Os críticos têm argumentado que a aplicação da palavra parakletos no evangelho ao Espírito e na Epístola a Jesus Cristo indica diferente autoria das duas obras. Mas (1) a paraklesis do Espírito é entre os perigos e dificuldades terrenas: Jesus comparece a nosso favor no céu; (2) esses ofícios diferentes, mas paralelos, também são refletidos em Rm 8.26,34: o Espírito faz intercessão em nós e a faz o Cristo ressurreto por nós no céu; (3) as palavras allos parakletos, usadas em Jo 14.16, ainda que o uso grego permita a tra-dução "outro, ou Paracleto", podem significar simplesmente "outro Paracleto", implicando que o próprio Jesus é também um Paracleto. (p. 1357)

Apresentamos aqui alguns destaques sobre o tema, para ler todo o texto, vejam as fotos abaixo contendo o material com os principais destaques do dicionário:

O Espírito do Senhor é o Espírito de Jesus Cristo

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